EstadãoTecnologia vira aliada

Tecnologia vira aliada de empresas que buscam eficiência na gestão

Se a burocracia já traz uma série de barreiras na hora de abrir um negócio no Brasil, o verdadeiro desafio mesmo está em mantê-lo vivo. Prova disso é que 62,2% das empresas criadas em 2010 no país fecharam as portas após cinco anos de existência, segundo o estudo “Demografia das Empresas 2015”, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as causas mais frequentes para explicar essa mortalidade precoce estão problemas relacionados à gestão.

“Muitos empreendedores não se preparam para exercer a função e vão à falência por não saberem lidar com questões como custos e fluxo de caixa”, explica Marco Bedê, especialista em gestão estratégica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Para superar essas dificuldades, algumas empresas têm apostado na tecnologia. Foi o que fez a paulistana Top People, especializada em trade marketing, recrutamento e seleção. Em 2016, deixou para trás as planilhas para controle financeiro e passou a usar a plataforma Omie, sistema de gestão em nuvem voltado para pequenos e médios negócios. “Uma das vantagens é que, em vez de fazer cada pagamento individualmente, o sistema gera um documento que permite pagar tudo de uma só vez no banco”, destaca o analista financeiro da Top People, Renato Matos Ribeiro.

A empresa foi apresentada à plataforma por Juraci José Pereira, sócio do escritório de assessoria contábil Juscon. Após conhecer o software, em 2013, a Juscon não apenas adotou o recurso como também passou a oferecê-lo aos seus clientes. “Ganhamos fluidez e qualidade na entrega. Conseguimos processar as informações financeiras de forma mais ágil, eliminando o trabalho braçal. Isso se reflete em um custo mais acessível para quem nos contrata”, afirma Pereira.

Para ilustrar como a plataforma otimizou os processos da empresa da qual é sócio, o contador cita que, antes, a conferência de dados era realizada manualmente, checando papel por papel. Hoje, o próprio cliente da assessoria fornece os documentos digitalizados, e todos são registrados no sistema. Sem a necessidade de digitar pilhas de informações, a Juscon passou a ter condições de se dedicar mais às análises financeiras de quem a contrata.

“Às vezes, o regime tributário que a empresa estava no ano passado pode não ser o melhor para o atual exercício. Conseguimos simular o negócio em todas as variáveis possíveis para que o gestor escolha o melhor cenário tributário. Antes, não podíamos fazer isso justamente por falta de tempo”, diz.

Já Ribeiro, da Top People, enfatiza que o sistema possibilitou uma visão mais panorâmica da situação contábil da firma. “É possível ter uma clara noção de quanto será pago e quanto será recebido no mesmo dia. Anteriormente, isso só era possível quando fechávamos o balanço.”

Fácil e intuitiva

A simplicidade para lidar com a plataforma foi apontada tanto por Pereira quanto por Ribeiro como um dos pontos altos. Essa característica facilita a adoção do sistema e o treinamento de novos funcionários contratados para trabalhar com ele. “É muito intuitivo e de custo acessível. Além disso, está em constante evolução. A Omie promove eventos, recolhe sugestões dos usuários e os aplica em melhorias”, elogia o analista financeiro.

Media Lab – Estadão – 31/07/2018